Donde vem a expressão?
Também da língua de Camões, a última flor do Lácio.
Chiça
Lus. Pleb. [plebeísmo]
Interjeição.
1.Indica desprezo, irritação.
Substantivo feminino.
2.Droga, merda:
Que chiça é aquela?
"Chiça, não me irrites", dizemos em Cabo Verde, por exemplo.
Segundo a Infopédia, a expressão é de origem alemã: "Do alemão Scheiße, 'porcaria; merda'?"
Bandalho
[De bando1 + -alho.]
Substantivo masculino.
1.Homem esfarrapado, maltrapilho.
2.Indivíduo sem dignidade nem brio; patife.
O que em crioulo dizemos, com o mesmo significado "bandadjo" ou mesmo "bandadjado" (maltratato, sem condições, acabado)
Usamos em Cabo Verde a palavra gana, para pretender dizer vontade, ímpeto, desejo. Contudo, há por parte de alguns (dos que sempre ficam temerosos de incorrer em erro, ao “levar” para o português termos supostamente “não portugueses” - devido ao uso corriqueiro do crioulo) um certo receio de usar a mesma palavra (gana) na língua portuguesa.
Pois, gana é mesmo gana em português.
O termo origina-se do espanhol e quer significar
(Sub. Fem.)
1.Grande apetite ou desejo de algo; fome.
2.Impulso, ímpeto, capricho, veneta:
3.Má vontade contra alguém, ou desejo de prejudicá-lo, de fazer-lhe mal; raiva, ódio.
(Quer saber por si mesmo - consulte a Infopédia)
A exemplificar: "desde que passou a me maldizer, fiquei com gana de pegá-lo"; “Nho Lobo tinha uma gana imensa de comer”.
Aos seguidores deste blog, dou a conhecer o meu livro De Volta ao Crime publicado pela Editora Livro Novo.
"O autor reúne nesta obra sua experiência como advogado criminalista e professor de Deontologia Jurídica e Direito Penal para, com suspense e perspicácia, romancear de forma cativante as angústias e dilemaS da vida profissional de quem advoga na seara criminal"
Título: DE VOLTA AO CRIME
Autor: Quintino Tavares
Formato: 14x21cm
Capa: 4X0 cor, com orelhas de 7 cm
Miolo: 1X1 cor
Acabamento e encadernação: costurado, hotmelt
Páginas: 200
ISBN: 978-85-8068-067-6
Público-alvo: Geral
Faixa etária: 16+
Tomei algumas caqueiradas na minha infância, principalmente na escola. Não tanto das professoras, mas dos colegas abusados e valentões.
Quando, em português, fala-se em caqueirada, pode significar um montão de caco ou caqueiros, porção de utensílios velhos, tiroteio carnavalesco com cacos, pancada violenta, bordoada (coloquial), soco, bofetada (coloquial). É assim que encontramos as definições, por exemplo, na infopédia.
Podemos assim, equivocadamente, julgar que a caqueirada cabo-verdiana tem o mesmo significado, pois caqueirada quer também dizer (coloquialmente) pancada violenta, bordoada.
De fato, a caqueirada no português cabo-verdiano é a mesma caqueirada do português lusitano, mas, em Cabo Verde, essa pancada violenta tornou-se apenas uma pancada, muitas vezes mesmo sendo uma pequena pancada.
Quando, no português falado nas ilhas de Cabo Verde, dizemos caqueirada, quer representar, não uma pancada violenta, a (simples) pancada na cabeça com o nó dos dedos, ou seja, caqueirada em Cabo Verde é o mesmo que carolo, cascudo ou croque (regionalismo brasileiro).
Então, já sabe, quem em Cabo Verde toma uma caqueirada, levou um cascudo.
Caqueirada
(substantivo feminino)
- montão de cacos ou caqueiros
- porção de trastes velhos
- tiroteio carnavalesco com cacos
- (coloquial) pancada violenta; bordoada
- coloquial soco; bofetada
- [Cabo Verde] pancada na cabeça com vara, ou com o nó dos dedos, carolo, cascudo, croque
No nosso jeito de falar português (nossa língua, nosso jeito), aquilo que os brasileiros chamam de peteleco e os portugueses de piparote, chamamos nós de trindoque. Na infância, poucas são as pessoas que nunca levaram um trindoque.
Dizemos (os cabo-verdianos): Ele me deu um trindoque com força
Podemos dizer em português (cabo-verdiano) trindoque e, se alguém não souber o que significa, explique, pois é o mesmo que piparote (português lusitano) ou peteleco (português brasileiro). Ainda não encontrei a expressão nos (meus) dicionários, mas creio, como certo, que em breve estará entre os verbetes.
Trindoque
- subs. masculino, pancada com a cabeça do dedo médio ou indicador, depois de dobrado e apoiado contra a face interna do polegar, e despedido com força; o mesmo que piparote, peteleco, tálitro.
Não confunda com caqueirada! (próximo post)
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A poesia que segue abaixo foi escrita por mim no ano de 2001, como sinal de agradecimento à minha mãe pela conclusão do curso de Direito na UFSC. Ela ficou impressa na versão final da monografia (na parte dos agradecimentos) e nunca antes a publicara, até julho deste ano, quando a inseri num post num blog que mantinha no Brasil, mas que agora, devido a muitos outros afazeres, e o fato de estar em Cabo Verde, não tenho conseguido atualizar (talvez venha a fechá-lo). Por isso, por ser este meu blog mais ativo atualmente e por se tratar da língua portuguesa, deixo transcrita a poesia, compartilhando com todos um pouco mais da minha vida (e meus sentimentos).
Pegando o mote do Blog Receitas de Cabo Verde (gostei do site) - sopa de "rolon" com atum - em português, deve-se dizer "sopa de rolão com atum".
Rolon em português, língua nossa com muito orgulho, é rolão. Gostamos mesmo de sopa de rolão, muito bom de manhã, para curar a ressaca da noite exagerada. Depois da festa de Nhá Santa Catarina (Santiago), 25 de novembro, é provável que pratos e mais pratos de sopa de rolão sejam devorados.
Manuel Lopes, Chuva Braba:
“Agora ela recolhia o rolão com ambas as mãos e ia-o deitando para o pilão ..... Todo o rolão tinha de ser reduzido a farinha” (p. 181).
Rolão
- substantivo masculino, parte mais grosseira da farinha (em Cabo Verde, farinha de milho moído grosso - farinha mais fina que a do xerém)
- [cabo-verdiano] milho moído grosso cozido em água, sal e outros temperos, a acompanhar normalmente o guisado (cabra, carneiro, garlinha)
Guisado
-refeição preparada com alimentos refogados e depois cozinhados com um pouco de água e por vezes vinho; ensopado; picadinho de carne.
Nhá
- subs. fem., de Brasil , Cabo Verde e Guiné, quer significar senhora.
Ressaca
- sentido figurativo, indisposição de quem bebeu (depois de passar a bebedeira) ou então o cansaço decorrente da noite passada em claro.
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* Se gostou deste post, pode ser que também goste de Cochir o milho
Julgava mesmo ser o xerém um prato exclusivamente cabo-verdiano, pois, dos muitos estrangeiros que já cruzaram meu caminho, não tive a oportunidade de ouvir alguém falando a respeito. Comi muito cuscuz no nordeste do Brasil, mas não me recordo do xerém.
Então, pesquisando no dicionário (alguém pode julgar um hobby estranho, mas gosto), descobri que xerém, de milho mesmo, tem também o Brasil na sua culinária (alguns dicionários indicam apenas a dança de roda ou uma espécie de polca), tem também Portugal.
O nosso é um pouco menos incrementado, mas é muito bom. Adoramos servi-lo para acompanhar o preferido (indiscutível opção santiaguense) prato de feijão pedra. A receita é simples, certa quantia de xerém, água, cebola, folha de louro e azeite (o resto é talento e criatividade).
Há quem prefira a expressão xarém. Segundo a wikipédia, o prato é típico de Portugal, tendo sido levado para o Brasil e Cabo Verde, onde também é considerado tradicional. Diz ainda que, em Portugal, o xerém é típico da região do Algarve, especialmente na cidade de Olhão, onde é preparado com com amêijoas, toucinho, presunto e chouriço, podendo ainda vir acompanhado de torresmos, carne de suíno ou sardinhas assadas.
Xerém / xarém
- Substantivo masculino, milho pilado grosso (de modo que não passa na peneira). Os brasileiros também chamam de canjiquinha.
José de Alencar, O Sertanejo:
“As mulheres ...., umas pilavam milho para fazer o xerém; outras andavam nos poleiros guardando a criação para livrá-la das raposas” (p. 183)
Baltasar Lopes, Chiquinho:
“Até lhe falava nos passarinhos do céu que estavam à espera dos grãos de xerém para o jantar” (p. 239).
Teixeira de Sousa, Na Ribeira de Deus:
“Iam nesse momento saborear o guisado de capado mais o xerém da praxe” (p. 212).
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* Se gostou deste post, pode ser que também goste de Cochir o milho ou Camoca com leite
Antes de buscar um motivo, apresento a palavra moçar que, confesso, inicialmente, levou-me a pensar decorrer dela a nossa expressão cabo-verdiana "mocar".
Pois bem, moçar, de moçar + -ar, verbo transitivo direto, toma o sentido de "tornar moça" (desvirginar) ou, intransitivo, "tornar-se moça ou prostituir-se". Diria, exempli gratia, "quando mostraram-lhe a vida, moçava noite adentro(!), sem se importar mesmo com quem" ou, como diz o Aulete, "mal chegaram à cidade, elas moçaram".
Mas...
Depois de olhar um ponto mais acima (nas entradas do dicionário), encontrei um dos significados da palavra "moca".
Parece-me, ao menos prima facie, que a expressão chula "mocar", utilizada (por nós) cabo-verdianos seja derivada de moca.
Em um dos sentidos, moca quer dizer café (café da Moca, cidade portuária da Arábia).
Noutro sentido, talvez daqui a origem de "mocar", significa cacete com uma maça na extremidade, clava. De moca, inclusive, vem a expressão amocar (esmocar, amocambar-se), ou seja, dar com a moca, como explica a Infopédia.
| Amocar | Moca | Moçar | Clava | cacete |
| - dar com a moca; - esconder. |
- café, café da Moca; - cacete, clava. |
- tirar a virgindade (a uma moça) ou perdê-la; - entregar-se à prostituição. |
- Pau pesado, mais grosso em uma das extremidades, que se usava como arma; maça. |
- Pedaço de pau com uma das pontas mais grossa que a outra; |
Maça
- Clava
- Arma de ferro ou de outro material, com uma extremidade esférica provida;
- Pilão cilíndrico usado pelos calceteiros; maço;
- Instrumento com que se maça o linho;
- Bastão.
Quem, portanto, amoca, dá com a moca.