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A nossa paparoca

por quintinocastrotavares, em 04.04.18

Lembro-me, adolescente, adorávamos ir ao "djeu" (ilhéu) e os mais velhos faziam uma grande paparoca.

Para nós, paparoca, não era qualquer comida, mas a comida feita com qualquer coisa, com o que se tinha.

Paparoca (n. f.), pois, é aquilo que representa popularmente alimentação, comida, papança: “Dias depois, a larva encontra na cola — deliciosa paparoca de sua predileção — o alimento de que necessita.” (Eduardo Frieiro, Os Livros Nossos Amigos, p. 93.).

Ref:

 

publicado às 17:17

Montanha - Poesia

por quintinocastrotavares, em 22.04.15

Ainda, na linha da "veia literária" do passado, transcrevo aqui uma outra poesia escrita em março de 98, quando ainda morava na ilha de Florianópolis/SC, mas que não deixa de demonstrar a minha ligação com Cabo Verde, com a milha ilha, com as montanhas da terra:

 

MONTANHA

Montanha
Serena
Tão Calma.

 

Esvazias meu pensamento
Na dureza da tua rocha.

 

Num sonho de liberdade,
Nos ecos que me respondem.
As dúvidas que me transcendem.

 

Sozinho
Indago:
Quem existe atrás de ti?
(março de 98)

 

publicado às 08:00

Jongotodo ou acocorado?

por quintinocastrotavares, em 20.04.15

A língua é vida e as interações são permanentes e infinitas. É certo que o crioulo cabo-verdiano tem na sua base o português, mas é tão certo também que, hoje, a própria língua nativa também influencia a língua de camões e a faz incorporar novos vocabulários.

 

Jongoto é a expressão do português de Cabo Verde (por influência do crioulo, é claro) que significa, pois, acocorado: sentar sobre os calcanhares; acocorar-se, ficar de cócoras.

Portanto, se como eu acredita que também falamos português, porque falamos de fato, use sem medo.

 

Referência:

jongotodo in Dicionário da Língua Portuguesa com Acordo Ortográfico [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2015. [consult. 2015-04-16 19:13:19]. Disponível na Internet: http://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/jongotodo

publicado às 17:17

Tu conheces Cafuca?

por quintinocastrotavares, em 18.04.15

Até os anos 80 ou, em muitos lugares, até mais tempo, usávamos muito a cafuca em Cabo Verde, durante a noite. Quase ninguém tinha eletricidade naquele tempo e os candeeiros eram reservados para a sala e outros cômodos/cómodos interiores. Mas na cozinha e outras dependências exteriores, usava-se comumente a cafuca (em português) ou kafuka (em língua cabo-verdiana - crioulo).

Talvez alguém que conheça a palavra em Cabo Verde e receoso de "não estar a falar português", sinta-se inseguro de usá-la. Mas não há problema:

 

Cafuca s. f. = palavra de origem angolana, do quicongo kafuka, a partir de (ku)kafuka, "pegar fogo", pode tranquilamente ser usado em português para designar candeeiro artesanal a petróleo com base numa garrafa (o que de fato usáva-mos em Cabo Verde).

Mas atenção, no Brasil a expressão normalmente designa algo um pouco diferente, uma cova onde se queima a lenha para carvão.

 

Referência:

cafuca in Dicionário da Língua Portuguesa com Acordo Ortográfico [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2015. [consult. 2015-04-16 18:44:19]. Disponível na Internet: http://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/cafuca.

Dicionário Michaelis online.

Dicionário Aurélio eletrônico.

publicado às 16:45

Poetas Mortos (soneto)

por quintinocastrotavares, em 16.04.15

Este poema, quase em forma de soneto, foi escrita por mim, no Brasil, em 07 de abril de 1999, há dezesseis anos. Hoje, por acaso, ao pesquisar por entre antigas anotações encontrei-a e estou compartilhando com os amigos e seguidores deste blog:

 

POETAS MORTOS

Eu não conheço as formas

Nem sei se fazem rimas.

Os meus versos são soltos

Como sonhos libertos.

 

É inútil a métrica

Que mostra só a técnica

De um escritor perfeito

Vazio de sentimento.

 

Eu nunca fui um poeta,

Mas minha alma esquenta

Se não posso gritar

Para a raiva mostrar.

 

Seus poetas miseráveis,

Eu detesto vocês!

(Florianópolis/SC, 07/04/99)

 

publicado às 16:30

Galante e galanti no crioulo: "forti homi galanti"

por quintinocastrotavares, em 02.01.15

Algumas (acredito que poucas, felizmente) não gostam de admitir ou que se diga que o crioulo cabo-verdiano ou língua caboverdiana (como alguns atualmente defendem) tem como base lexical a língua portuguesa. Como se isso fosse ofensivo (mas eu não entendo). Afinal, o fato da língua portuguesa, espanhola, francesa, etc., serem originárias do latim não as faz "menos línguas", como todas as outras.

 

Bom, depois de tanto tempo sem escrever nada, hoje, vou trazer a palavra galante para comparações entre a nossa língua portuguesa e o crioulo (também nosso), principalmente na variante de Santiago, pois não estou seguro de que a expressão é usada no Barlavento com o mesmo significado (talvez, apenas em hipótese, em S. Vicente o sentido seja mais próximo do português).

 

Galante (adj.), do francês galantquer dizer em português:

 

1. Gracioso, gentil, donairoso, esbelto; próprio de galã
2. Distinto, elegante, polido; que mostra delicadeza ou cortesia, procurando agradar ou seduzir, afável, amável

3. que tem aspeto atraente, bonito, elegante, esbelto

 

No crioulo cabo-verdiano, a palavra ganhou um sentido contrário ao equivalente português:

"Um homem galante", em língua cabo-verdiana quer dizer um homem feio. Portanto, galante em Cabo Verde é:

     feio, esquisito e disforme

 

"Môs bu é galanti"

publicado às 12:54

Chiça, não me irrites!

por quintinocastrotavares, em 15.03.12

Donde vem a expressão?

 

Também da língua de Camões, a última flor do Lácio.

 

Chiça

Lus. Pleb. [plebeísmo]

Interjeição.

1.Indica desprezo, irritação.

Substantivo feminino.

2.Droga, merda:

 

Que chiça é aquela?

 

"Chiça, não me irrites", dizemos em Cabo Verde, por exemplo.

 

Segundo a Infopédia, a expressão é de origem alemã: "Do alemão Scheiße, 'porcaria; merda'?"

publicado às 09:45

De Bandadjo a Bandalho (ou vice-versa)

por quintinocastrotavares, em 14.03.12

Bandalho

[De bando1 + -alho.]

Substantivo masculino.

1.Homem esfarrapado, maltrapilho.

2.Indivíduo sem dignidade nem brio; patife.

 

O que em crioulo dizemos, com o mesmo significado "bandadjo" ou mesmo "bandadjado" (maltratato, sem condições, acabado)

publicado às 09:40

Voltou a GANA de escrever

por quintinocastrotavares, em 13.03.12

Usamos em Cabo Verde a palavra gana, para pretender dizer vontade, ímpeto, desejo. Contudo, há por parte de alguns (dos que sempre ficam temerosos de incorrer em erro, ao “levar” para o português termos supostamente “não portugueses” - devido ao uso corriqueiro do crioulo) um certo receio de usar a mesma palavra (gana) na língua portuguesa.

 

Pois, gana é mesmo gana em português.

 

O termo origina-se do espanhol e quer significar

(Sub. Fem.)

1.Grande apetite ou desejo de algo; fome.

2.Impulso, ímpeto, capricho, veneta:

3.Má vontade contra alguém, ou desejo de prejudicá-lo, de fazer-lhe mal; raiva, ódio.

(Quer saber por si mesmo - consulte a Infopédia)

 

A exemplificar: "desde que passou a me maldizer, fiquei com gana de pegá-lo"; “Nho Lobo tinha uma gana imensa de comer”.

publicado às 09:40

Meu livro: De Volta ao Crime

por quintinocastrotavares, em 13.03.12

Aos seguidores deste blog, dou a conhecer o meu livro De Volta ao Crime publicado pela Editora Livro Novo, agora na plataforma independente da PerSe.

 

"O autor reúne nesta obra sua experiência como advogado criminalista e professor de Deontologia Jurídica e Direito Penal para, com suspense e perspicácia, romancear de forma cativante as angústias e dilemas da vida profissional de quem advoga na seara criminal"

 

De Volta ao Crime: justiça, amor e mistério

 

Título: DE VOLTA AO CRIME

Autor: Quintino Tavares
Formato: 14x21cm
Páginas: 200
ISBN: 978-85-8068-067-6
Público-alvo: Geral
Faixa etária: 16+

publicado às 07:00


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