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Montanha - Poesia

por quintinocastrotavares, em 22.04.15

Ainda, na linha da "veia literária" do passado, transcrevo aqui uma outra poesia escrita em março de 98, quando ainda morava na ilha de Florianópolis/SC, mas que não deixa de demonstrar a minha ligação com Cabo Verde, com a milha ilha, com as montanhas da terra:

 

MONTANHA

Montanha
Serena
Tão Calma.

 

Esvazias meu pensamento
Na dureza da tua rocha.

 

Num sonho de liberdade,
Nos ecos que me respondem.
As dúvidas que me transcendem.

 

Sozinho
Indago:
Quem existe atrás de ti?
(março de 98)

 

publicado às 08:00

Jongotodo ou acocorado?

por quintinocastrotavares, em 20.04.15

A língua é vida e as interações são permanentes e infinitas. É certo que o crioulo cabo-verdiano tem na sua base o português, mas é tão certo também que, hoje, a própria língua nativa também influencia a língua de camões e a faz incorporar novos vocabulários.

 

Jongoto é a expressão do português de Cabo Verde (por influência do crioulo, é claro) que significa, pois, acocorado: sentar sobre os calcanhares; acocorar-se, ficar de cócoras.

Portanto, se como eu acredita que também falamos português, porque falamos de fato, use sem medo.

 

Referência:

jongotodo in Dicionário da Língua Portuguesa com Acordo Ortográfico [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2015. [consult. 2015-04-16 19:13:19]. Disponível na Internet: http://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/jongotodo

publicado às 17:17

Tu conheces Cafuca?

por quintinocastrotavares, em 18.04.15

Até os anos 80 ou, em muitos lugares, até mais tempo, usávamos muito a cafuca em Cabo Verde, durante a noite. Quase ninguém tinha eletricidade naquele tempo e os candeeiros eram reservados para a sala e outros cômodos/cómodos interiores. Mas na cozinha e outras dependências exteriores, usava-se comumente a cafuca (em português) ou kafuka (em língua cabo-verdiana - crioulo).

Talvez alguém que conheça a palavra em Cabo Verde e receoso de "não estar a falar português", sinta-se inseguro de usá-la. Mas não há problema:

 

Cafuca s. f. = palavra de origem angolana, do quicongo kafuka, a partir de (ku)kafuka, "pegar fogo", pode tranquilamente ser usado em português para designar candeeiro artesanal a petróleo com base numa garrafa (o que de fato usáva-mos em Cabo Verde).

Mas atenção, no Brasil a expressão normalmente designa algo um pouco diferente, uma cova onde se queima a lenha para carvão.

 

Referência:

cafuca in Dicionário da Língua Portuguesa com Acordo Ortográfico [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2015. [consult. 2015-04-16 18:44:19]. Disponível na Internet: http://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/cafuca.

Dicionário Michaelis online.

Dicionário Aurélio eletrônico.

publicado às 16:45

Poetas Mortos (soneto)

por quintinocastrotavares, em 16.04.15

Este poema, quase em forma de soneto, foi escrita por mim, no Brasil, em 07 de abril de 1999, há dezesseis anos. Hoje, por acaso, ao pesquisar por entre antigas anotações encontrei-a e estou compartilhando com os amigos e seguidores deste blog:

 

POETAS MORTOS

Eu não conheço as formas

Nem sei se fazem rimas.

Os meus versos são soltos

Como sonhos libertos.

 

É inútil a métrica

Que mostra só a técnica

De um escritor perfeito

Vazio de sentimento.

 

Eu nunca fui um poeta,

Mas minha alma esquenta

Se não posso gritar

Para a raiva mostrar.

 

Seus poetas miseráveis,

Eu detesto vocês!

(Florianópolis/SC, 07/04/99)

 

publicado às 16:30


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