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Tu conheces Cafuca?

por quintinocastrotavares, em 18.04.15

Até os anos 80 ou, em muitos lugares, até mais tempo, usávamos muito a cafuca em Cabo Verde, durante a noite. Quase ninguém tinha eletricidade naquele tempo e os candeeiros eram reservados para a sala e outros cômodos/cómodos interiores. Mas na cozinha e outras dependências exteriores, usava-se comumente a cafuca (em português) ou kafuka (em língua cabo-verdiana - crioulo).

Talvez alguém que conheça a palavra em Cabo Verde e receoso de "não estar a falar português", sinta-se inseguro de usá-la. Mas não há problema:

 

Cafuca s. f. = palavra de origem angolana, do quicongo kafuka, a partir de (ku)kafuka, "pegar fogo", pode tranquilamente ser usado em português para designar candeeiro artesanal a petróleo com base numa garrafa (o que de fato usáva-mos em Cabo Verde).

Mas atenção, no Brasil a expressão normalmente designa algo um pouco diferente, uma cova onde se queima a lenha para carvão.

 

Referência:

cafuca in Dicionário da Língua Portuguesa com Acordo Ortográfico [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2015. [consult. 2015-04-16 18:44:19]. Disponível na Internet: http://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/cafuca.

Dicionário Michaelis online.

Dicionário Aurélio eletrônico.

publicado às 16:45

Obrigado, mãe! (poesia)

por quintinocastrotavares, em 26.11.11

A poesia que segue abaixo foi escrita por mim no ano de 2001, como sinal de agradecimento à minha mãe pela conclusão do curso de Direito na UFSC. Ela ficou impressa na versão final da monografia (na parte dos agradecimentos) e nunca antes a publicara, até julho deste ano, quando a inseri num post num blog que mantinha no Brasil, mas que agora, devido a muitos outros afazeres, e o fato de estar em Cabo Verde, não tenho conseguido atualizar (talvez venha a fechá-lo). Por isso, por ser este meu blog mais ativo atualmente e por se tratar da língua portuguesa, deixo transcrita a poesia, compartilhando com todos um pouco mais da minha vida (e meus sentimentos).

Obrigado, mãe!
Ainda sinto o eco do pilão batendo
No silêncio das madrugadas;
O barulho do fogareiro aquecendo
O óleo para as famosas frituras.

Recordo-me das lágrimas,
Da dor do teu silêncio,
Nas noites longas
Do meu estudo à luz do candeeiro.

Sei que querias mais,
Mas as vicissitudes da vida
Não permitiram outras fortunas.

Da vida maltratada,
Transformastes-me em poeta.
Da pobreza presenciada,
Concedestes-me sabedoria.

Mais do que mãe,
Tu fostes uma professora.
E na graça ou desgraça,
Aprendi que de tudo se pode rir.
(Quintino Castro Tavares)
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E para não perder o hábito
Candeeiro
- aparelho de iluminação, de forma e dimensão variáveis, geralmente eletrificado.

Fritura
- ato ou efeito de fritar; qualquer alimento frito; fritada.

Pilão
- instrumento para pilar; gral de madeira rija, onde se descasca e tritura o milho.
Fogareiro
- utensílio portátil de ferro, latão ou barro onde se acende o lume para cozinhar (ou aquecer o ambiente) e que funciona a carvão, petróleo, eletricidade ou gás [nós só tínhamos o a petróleo]

publicado às 10:05


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