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A nossa paparoca

por quintinocastrotavares, em 04.04.18

Lembro-me, adolescente, adorávamos ir ao "djeu" (ilhéu) e os mais velhos faziam uma grande paparoca.

Para nós, paparoca, não era qualquer comida, mas a comida feita com qualquer coisa, com o que se tinha.

Paparoca (n. f.), pois, é aquilo que representa popularmente alimentação, comida, papança: “Dias depois, a larva encontra na cola — deliciosa paparoca de sua predileção — o alimento de que necessita.” (Eduardo Frieiro, Os Livros Nossos Amigos, p. 93.).

Ref:

 

publicado às 17:17

Galante e galanti no crioulo: "forti homi galanti"

por quintinocastrotavares, em 02.01.15

Algumas (acredito que poucas, felizmente) não gostam de admitir ou que se diga que o crioulo cabo-verdiano ou língua caboverdiana (como alguns atualmente defendem) tem como base lexical a língua portuguesa. Como se isso fosse ofensivo (mas eu não entendo). Afinal, o fato da língua portuguesa, espanhola, francesa, etc., serem originárias do latim não as faz "menos línguas", como todas as outras.

 

Bom, depois de tanto tempo sem escrever nada, hoje, vou trazer a palavra galante para comparações entre a nossa língua portuguesa e o crioulo (também nosso), principalmente na variante de Santiago, pois não estou seguro de que a expressão é usada no Barlavento com o mesmo significado (talvez, apenas em hipótese, em S. Vicente o sentido seja mais próximo do português).

 

Galante (adj.), do francês galantquer dizer em português:

 

1. Gracioso, gentil, donairoso, esbelto; próprio de galã
2. Distinto, elegante, polido; que mostra delicadeza ou cortesia, procurando agradar ou seduzir, afável, amável

3. que tem aspeto atraente, bonito, elegante, esbelto

 

No crioulo cabo-verdiano, a palavra ganhou um sentido contrário ao equivalente português:

"Um homem galante", em língua cabo-verdiana quer dizer um homem feio. Portanto, galante em Cabo Verde é:

     feio, esquisito e disforme

 

"Môs bu é galanti"

publicado às 12:54

O crioulo na ONU ou o temor da fé nas águas.

por quintinocastrotavares, em 26.09.11

O primeiro-ministro de Cabo Verde discursou em crioulo na 66ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas. Bem, foi histórico por ter sido a primeira vez, mas os resultados serão positivos ou negativos para o futuro da língua portuguesa em Cabo Verde? Não sei, só o tempo dirá. Eu só espero que a ânsia dos "vanguardistas", o intento de se forçar "fazer parte" da história cabo-verdiana, não se transforme em populismo, na pura tentativa de galgar a simpatia do povo.


O futuro de Cabo Verde depende de reflexões profundas e de ações pensadas e repensadas para que, em nome do triunfo próprio, não se condene estas ilhas ao ostracismo perpétuo.

Em tempo das águas, tomara que a esperança perene que renasce a cada ano, não faça da esperança o desespero futuro.

E para não perder o mote.

Águas - substantivo feminino plural - o termo pode representar as chuvas e, no português da nossa terra (Cabo Verde), quer significar a época das chuvas, que vai em regra de julho a outubro (embora atualmente tudo esteja tão imprevisível)

Germano Almeida - Ponto & Vírgula (n.2, p. 19):
“...quando as águas eram boas, casavam-se” (Germano Almeida, em ).

Populismo - da acepção brasileira - a política fundada no aliciamento das classes sociais de menor poder aquisitivo, na tentativa (muitas vezes profíqua) de conseguir a simpatia do povo.

Ostracismo (Grego: ostrakismós): exclusão, proscrição, banimento; exílio.

Faço votos que o português permaneça não apenas como legado, mas língua viva em Cabo Verde (ando entretanto um pouco temeroso)

Artigo 9º da Constituição da República de Cabo Verde:

1. É língua oficial o Português.
2. O Estado promove as condições para a oficialização da língua materna cabo-verdiana, em paridade com a língua portuguesa.
3. Todos os cidadãos nacionais têm o dever de conhecer as línguas oficiais e o direito de usá-las.

 

Faço acrescer relevante e inteligente comentário de Pedro Cruz (27 set. 2011), cuja relevância motivou-me a integrá-lo ao post:

 

Acresce uma questão, política, da maior importância: Portugal e o Brasil, pelo menos, estão empenhados em consagrar o Português como língua oficial da O.N.U. A opção, política, de J.M.N. foi contrária a esse empenho, de cujos resultados C.V. também beneficiaria. Por outro lado, uma das grandes vocações dos Cabo-verdianos é o seu universalismo. O Crioulo, nas suas variantes, é a matriz cultural de cada Cabo-verdiano, mas prende-o à sua ilha e à sua comunidade. Nesse sentido «corta-lhe as asas» e fecha-o sobre si próprio. Limita-o. Com o Português, partilhado por milhões de pessoas em todo o mundo, Cabo Verde abre-se a ele e afirma o seu cosmopolitismo. Glosando Natália Correia e Fernando Pessoa, poderíamos afirmar, em tom pseudo-psicanalítico, que o(s) Crioulo(s) são a «Mátria» do Cabo-verdiano e o Português a sua «Pátria». Em suma, políticas que tendam a fechar os Cabo-verdianos nas suas variantes do Crioulo são, afinal, lesivas de uma parte importante da respectiva identidade e até comprometedoras do papel importante que os Cabo-verdianos podem e devem desenvolver internacionalmente. Cumprimentos e parabéns pelo seu excelente e útil blogue. Recomendá-lo-ei.

publicado às 09:13


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